22 de março de 2012

Opinião | Homens na pauta da saúde | por Michael Machado


Embora grande parte da literatura em saúde utilize a palavra homem, este é compreendido como sujeito genérico, sinônimo de humanidade. Romeu Gomes e Márcia Thereza Couto (2005) apresentam que os homens na pauta da saúde coletiva é uma questão contemporânea, produto da interface das ciências humanas com a saúde, a partir da ótica do caráter social do adoecimento e pela perspectiva de gênero como forma de compreender a relação saúde-sociedade pelo viés da promoção da saúde.


Wilza Villela (2005) assinala que os modos como os homens constroem e vivenciam as masculinidades está ligado as seus modos particulares de adoecer e morrer, sendo esses modos múltiplos e variáveis. Essas construções definem como os homens usam e percebem os seus corpos.

Os estereótipos de gênero, enraizados há séculos na cultura patriarcal brasileira, potencializam práticas baseadas nas crenças de que a doença é considerada como um sinal de fragilidade e que os homens não a reconhecem como inerentes à sua própria condição biológica. Outro elemento presente nesse contexto é que os serviços e as estratégias de comunicação em saúde, em sua maioria, privilegiam as ações de saúde para a criança, a mulher e o/a idoso/a, distanciando-se dos homens adultos.

Romeu Gomes (2003) traz importantes contribuições quando afirma que estudar a saúde masculina não significa fortalecer o masculino em detrimento do feminino. Estudar esses pólos como relacionais traz reflexões valorosas sobre os novos papéis e posicionamentos dos gêneros.

No Brasil, no ano de 2009 foi lançada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, tendo como público alvo homens da faixa etária dos 20 a 59 anos. Essa parcela da população correspondia a 52 milhões de pessoas no ano de 2009. Em seu texto, a política apresenta uma série de indicadores, como a violência que atinge, de maneira geral, o dobro de homens em relação às mulheres e o triplo, se levarmos em consideração o grupo de 20 a 39 anos, apresentando assim desafios para a atenção integral a essa parcela da população brasileira.

No ensejo do seu lançamento, ocorreu um boom e uma série de pesquisas passaram a ser desenvolvidas tendo como foco a saúde dessa parcela da população brasileira, esses estudos possuem os mais variados desenhos metodológicos e pressupostos teórico/epistemológicos. As temáticas debatidas, em sua maioria, centram-se no consumo, uso e abuso de substâncias psicoativas, as implicações do câncer de próstata, violência, acessoaos serviços de saúde, uso das tecnologias disponíveis nas redes de saúde. Essa produção acadêmica vem sendo denominada como um novo campo dos estudos em saúde, que viria a ser a “saúde do homem”.